Santa Maria é a sexta cidade mais violenta do RS em ranking de 2022

Maurício Barbosa

Santa Maria é a sexta cidade mais violenta do RS em ranking de 2022
Última morte do ano aconteceu sábado, no Bairro Tancredo Neves. Vítima foi uma mulher de 34 anos. Foto: Maurício Barbosa (Bei)

Ao chegar a 70 mortes em 2022, Santa Maria alcançou um triste recorde e se igualou a 2017 como o ano mais violento da história. De janeiro a dezembro, 61 homens e nove mulheres foram assassinados, deixando Santa Maria na sexta posição de cidade mais violenta do Estado em número de homicídios.

A maioria das vítimas do ano passado era jovem, com idades entre 21 e 30 anos e morreu em meio à guerra de grupos rivais no tráfico de drogas e por rixas ligadas ao sistema carcerário. A Polícia Civil apontou a autoria e a motivação de 80% dos crimes. Conforme a Brigada Militar (BM), operações são feitas periodicamente e ações de combate ao crime são intensificadas nos locais com maiores índices de criminalidade.

Em número de assassinatos, Santa Maria perde somente para Porto Alegre, que teve 376 vítimas no ano passado, Rio Grande (99), Alvorada (83), Caxias do Sul (80) e Canoas (76). Os crimes aconteceram em diferentes regiões da cidade, mas a maior parte se concentrou nas regiões Oeste e Norte, que somaram 29 homicídios.

Para a Polícia Civil e a Brigada Militar, cerca de 80% das execuções foram motivadas pelo envolvimento com facções criminosas organizadas. Conforme levantamento feito pela reportagem junto à Delegacia Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), os números apontam que 29 pessoas foram mortas por envolvimento com o tráfico, 11 por rixa, sete por motivo fútil, duas por vingança, uma por crime passional e oito por outros motivos. Outros 12 assassinatos ainda estão em investigação.

Segundo o delegado Gabriel Zanella, titular da DPHPP, para a Polícia Civil não importa quem é a vítima de um homicídio ou seus antecedentes criminais, o trabalho de investigação é o mesmo.

– Nossa dedicação e autocobrança em elucidar a autoria, a motivação e prender os suspeitos é a mesma. Trabalhamos diuturnamente e em permanente regime de sobreaviso 24 horas. A exemplo do Samu, bombeiros etc, quando somos acionados, normalmente nas madrugadas, cumprimos imediatamente nossa missão de maneira ética e técnica, pois uma vida foi ceifada – assegura.

Investigação

A Delegacia de Homicídios encaminhou à Justiça 569 procedimentos policiais em 2022. De janeiro a dezembro, foram 16 operações onde foram cumpridos 330 mandados de busca e apreensão e apreendidas 36 armas e 32 quilos de drogas.

Além disso, 80% dos crimes estão elucidados, 48 suspeitos foram presos e, 20 adolescentes, apreendidos.

– O aumento dos homicídios consumados e tentados em Santa Maria em 2022 tem relação direta com o acirramento das disputas entre facções criminosas atuantes no tráfico de drogas. Neste contexto, a maioria das vítimas e dos autores dos homicídios consumados e tentados tem graves antecedentes policiais e passagens pelo sistema prisional – acrescenta Gabriel Zanella.

Tráfico motivou a maior parte dos homicídios

O delegado regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, diz as motivações para tantos crimes estão ligadas às facções criminosas.

– São fatos graves, mas a grande maioria dos homicídios decorre basicamente das questões das facções criminosas, do tráfico de drogas, do sistema prisional, ou seja, pessoas que ingressam no mundo da criminalidade e passam a trabalhar para as facções, não só traficando, não só roubando, mas também matando. Um homicídio, muitas vezes, desencadeia vários outros homicídios, que são vinganças, que são revanches dos grupos rivais. Uma vingança de alguém que foi morto – diz.

Meinerz ressalta a importância do trabalho realizado pela Delegacia de Homicídios, que tem altos índices de elucidação dos crimes, perto de 85%.

– (A vingança por tráfico) é um crime muito difícil de prever, de nos anteciparmos. Mesmo com o trabalho de inteligência, a antecipação a essas ações é muito complexa. A Polícia Civil trabalha na resposta a essa violência e tem a missão constitucional de reprimir essa criminalidade. Ou seja, elucidar a autoria e a materialidade. Os índices de elucidação estão próximos de 85%, isso é um índice muito positivo, ainda que a violência esteja acontecendo, nós estamos conseguindo responder a ela dentro das nossas responsabilidades, com os nossos recursos, justamente para poder, o mais rápido possível, não só identificar, mas também prender os responsáveis – afirma o delegado regional.

Pandemia fez crimes reduzirem

Conforme o major Rogério Glanzel Alves, comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), ações e prevenção são feitas diariamente 24 horas por dia. O major diz que a pandemia fez com que alguns índices diminuíssem e, agora, os números estão aumentando aos patamares anteriores.

– A Brigada Militar manterá as ações de patrulha nas áreas de maior incidência de homicídiosa, bem como buscará, por meio dos setores de inteligência policial, a identificação dos envolvidos, monitorando abordando e prendendo-os caso estejam em flagrante – assegura.

Outro detalhe importante foi a pandemia. Segundo o major, havia indicadores bastante expressivos de crimes em 2019.

– Com a pandemia, tivemos redução e hoje, saindo da pandemia, a vida voltando à normalidade, alguns crimes começaram a crescer. A gente tem que trabalhar na prevenção e na repressão para que esses indicadores não cresçam – afirma o comandante do 1º RPMon.

Os municípios com mais assassinatos em 2022

Porto Alegre – 376

Rio Grande – 99

Alvorada – 83

Caxias do Sul – 80

Canoas – 76

Santa Maria – 70

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